A saúde mental no trabalho deixou de ser um tema periférico para ocupar um lugar central nas discussões sobre gestão de pessoas e resultados organizacionais. Dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que transtornos como depressão e ansiedade, muito relacionados a estressores no ambiente laboral, são responsáveis por aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente, gerando um impacto econômico global estimado em US$ 1 trilhão por ano em produtividade.
Esse cenário não é apenas um número interessante para relatórios: ele representa perdas reais para empresas, profissionais e para o próprio mercado de trabalho, que precisa responder a um novo conjunto de expectativas e desafios.
Com o aumento de quadros de ansiedade, estresse e burnout, refletidos em afastamentos e níveis mais altos de sofrimento entre trabalhadores, o tema se tornou uma preocupação de gestão. Em encontros promovidos por órgãos como o Ministério do Trabalho e Emprego no Brasil, especialistas têm argumentado que o bem-estar no trabalho deve ser visto como investimento — não custo — para produtividade organizacional.
Essa mudança de perspectiva está alinhada com uma compreensão mais ampla sobre o papel das organizações: ambientes de trabalho emocionalmente sustentáveis favorecem maior engajamento, criatividade e desempenho. Por outro lado, rotinas exaustivas,liderança inadequada e falta de reconhecimento são fatores que corroem o bem-estar dos trabalhadores e potencializam riscos psicossociais.
Em países como o Reino Unido, dados apontam que problemas de saúde mental já se tornaram uma das principais causas de ausência no trabalho, muitas vezes superando outras razões por afastamento, reforçando a necessidade de resposta organizacional estruturada.
Tradicionalmente, ações voltadas à saúde mental eram organizadas como iniciativas isoladas, campanhas pontuais, programas de bem-estar genéricos ou benefícios extras, que muitasvezes não se conectavam aos desafios reais vividos pelos colaboradores.
Em 2026, essaabordagem não é mais suficiente. O papel do RH evoluiu para:
A OMS, por exemplo, recomenda a capacitação de gestores para que identifiquem sinais de sofrimento mental e saibam como responder de forma adequada, criando ambientes de trabalho mais seguros psicologicamente e acolhedores para todos.
Quando o RH assume esse papel de articulador, ele potencializa a capacidade da organização de transformar dados em ações concretas e de conectar bem-estar ao desempenho e à retenção de talentos.
Para que a saúde mental deixe de ser uma promessa e se torne uma prática eficaz, o RH precisa agir em múltiplas frentes, integrando diferentes áreas do cotidiano organizacional:
Quando a saúde mental no trabalho é tratada como parte da estratégia organizacional, ela traz benefícios que vão além do bem-estar individual. Ambientes psicologicamente seguros melhoram a capacidade de colaboração, reduzem conflitos e fortalecem a cultura da empresa como um todo.
Mais do que uma tendência, esse movimento representa uma evolução necessária do RH: de função operacional para posição estratégica, influenciando diretamente a forma como o trabalho é estruturado e vivido. Em 2026, organizações que abraçarem essa transformação estarão mais bem equipadas para enfrentar os desafios sociais e econômicos contemporâneos de forma humana, sustentável e competitiva.