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Saúde mental no trabalho em 2026: o papel estratégico do RH

A saúde mental no trabalho deixou de ser um tema periférico para ocupar um lugar central nas discussões sobre gestão de pessoas e resultados organizacionais. Dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que transtornos como depressão e ansiedade, muito relacionados a estressores no ambiente laboral, são responsáveis por aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho perdidos anualmente, gerando um impacto econômico global estimado em US$ 1 trilhão por ano em produtividade.

Esse cenário não é apenas um número interessante para relatórios: ele representa perdas reais para empresas, profissionais e para o próprio mercado de trabalho, que precisa responder a um novo conjunto de expectativas e desafios.

 

Por que saúdemental no trabalho é uma questão estratégica em 2026?

Com o aumento de quadros de ansiedade, estresse e burnout, refletidos em afastamentos e níveis mais altos de sofrimento entre trabalhadores, o tema se tornou uma preocupação de gestão. Em encontros promovidos por órgãos como o Ministério do Trabalho e Emprego no Brasil, especialistas têm argumentado que o bem-estar no trabalho deve ser visto como investimento — não custo — para produtividade organizacional.

Essa mudança de perspectiva está alinhada com uma compreensão mais ampla sobre o papel das organizações: ambientes de trabalho emocionalmente sustentáveis favorecem maior engajamento, criatividade e desempenho. Por outro lado, rotinas exaustivas,liderança inadequada e falta de reconhecimento são fatores que corroem o bem-estar dos trabalhadores e potencializam riscos psicossociais.

Em países como o Reino Unido, dados apontam que problemas de saúde mental já se tornaram uma das principais causas de ausência no trabalho, muitas vezes superando outras razões por afastamento, reforçando a necessidade de resposta organizacional estruturada.

 

A visão contemporânea de RH: de executor a estrategista humano

Tradicionalmente, ações voltadas à saúde mental eram organizadas como iniciativas isoladas, campanhas pontuais, programas de bem-estar genéricos ou benefícios extras, que muitasvezes não se conectavam aos desafios reais vividos pelos colaboradores.

Em 2026, essaabordagem não é mais suficiente. O papel do RH evoluiu para:

  • compreender profundamente como fatores organizacionais (como cultura, liderança e forma de trabalho) afetam o bem-estar emocional;

  • promover mudanças estruturais que integram saúde mental à experiência cotidiana de trabalho;

  • dialogar com líderes e influenciar  decisões que impactam diretamente a saúde emocional das equipes.

A OMS, por exemplo, recomenda a capacitação de gestores para que identifiquem sinais de sofrimento mental e saibam como responder de forma adequada, criando ambientes de trabalho mais seguros psicologicamente e acolhedores para todos.

Quando o RH assume esse papel de articulador, ele potencializa a capacidade da organização de transformar dados em ações concretas e de conectar bem-estar ao desempenho e à retenção de talentos.

 

Transformando discurso em ação: o que o RH pode fazer agora

Para que a saúde mental deixe de ser uma promessa e se torne uma prática eficaz, o RH precisa agir em múltiplas frentes, integrando diferentes áreas do cotidiano organizacional:

  • Escuta contínua: entender, por meio de dados, pesquisas internas e feedbacks reais, como os colaboradores estão vivenciando o trabalho.

  • Capacitação da liderança: líderes preparados são capazes de  perceber sinais de sofrimento e estabelecer conversas de apoio.

  • Comunicação interna humanizada: mensagens claras, empáticas e alinhadas com as experiências reais das equipes criam confiança e promovem     transparência.

  • Medição inteligente de indicadores: usar dados de forma ética para identificar padrões de absenteísmo, queda de engajamento, e outros indicadores relacionados ao bem-estar.

  • Apoiar processos sustentáveis de trabalho: isso inclui rever formas de trabalho que geram sobrecarga, redefinir metas rígidas e incentivar práticas que     promovam equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

 

Uma abordagem estratégica que beneficia toda a organização

Quando a saúde mental no trabalho é tratada como parte da estratégia organizacional, ela traz benefícios que vão além do bem-estar individual. Ambientes psicologicamente seguros melhoram a capacidade de colaboração, reduzem conflitos e fortalecem a cultura da empresa como um todo.

Mais do que uma tendência, esse movimento representa uma evolução necessária do RH: de função operacional para posição estratégica, influenciando diretamente a forma como o trabalho é estruturado e vivido. Em 2026, organizações que abraçarem essa transformação estarão mais bem equipadas para enfrentar os desafios sociais e econômicos contemporâneos de forma humana, sustentável e competitiva.

Postado em
28/1/2026
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