Gestão de Pessoas

Desenvolvimento de Times em 2026: O que Mudou?

Em 2026, o cenário de Desenvolvimento de Pessoas apresenta uma maturidade pragmática, onde a busca pelo equilíbrio entre a alta performance e o bem-estar humano dita as novas regras.

No relatório feito pela GPTW (Great Placeto Work) divulgado em 2026, é mostrado um retorno à valorização das habilidades técnicas, que entraram pela primeira vez no grupo das cinco competências mais desejadas, ocupando a quarta posição com 36,3% de relevância. Esse fator chama atenção pela diferença  em contraste aos anos anteriores, marcados poruma ênfase quase exclusiva em competências comportamentais.

A GPTW destaca, no topo dessa pirâmide, a permanência da capacidade de resolver problemas complexos como a habilidade soberana, citada por 60,6% dos gestores, enquanto a flexibilidade e a resiliência atingiram seu ápice histórico, consolidando-se na segunda posição como reflexo de um ambiente de negócios cada vez mais volátil.

 

A Capacitação de Talentos

De acordo com o Panorama do Treinamento no Brasil, observa-se um movimento de retorno ao desenvolvimento "dentro de casa", com o volume de horas de treinamento apresentando crescimento: a média subiu de 21 horas (média dos últimos 10 anos) para 26 horas anuais por colaborador em 2025, com tendência constante de crescimento em todos os setores.

Em contrapartida, recursos que antes eram vistos como pilares, como as universidades corporativas e a oferta de bolsas de estudo, sofreram quedas drásticas em sua utilização, sugerindo uma busca por soluções mais ágeis,específicas e alinhadas à cultura imediata da empresa. Esse movimento é acompanhado por uma visão do desenvolvimento como o centro da experiência do colaborador, integrando aprendizado contínuo, saúde mental e segurança psicológica como pré-requisitos para a alta performance.

 

O Papel do Líder no Desenvolvimento

A liderança assumiu um papel ainda mais crítico nesse processo, sendo apontada como o maior desafio e a prioridade número um para as organizações em 2026. O perfil do líder evoluiu de uma figura puramente empática para uma liderança orientada a resultados. Contudo, essa orientação a metas não exclui a necessidade de um guia; o líder moderno deve atuar como mentor e facilitador,utilizando ferramentas como o feedback construtivo e o incentivo à autoliderança para impulsionar o crescimento individual e a competitividade organizacional.

 

O Paradoxo da IA

Segundoa GPTW, embora desperte debates intensos, a Inteligência Artificial (IA) vive um paradoxo: apesar de a "familiaridade com a IA" estar entre as habilidades mais procuradas, o investimento em treinamentos específicos sobre o tema disparou, com 52,7% das empresas já realizando capacitações na área. A tecnologia é vista agora menos como uma ameaça de substituição e mais como uma aliada estratégica, especialmente em áreas como o RH, onde é amplamente utilizada para otimizar o recrutamento, a seleção e o próprio diagnóstico de clima organizacional.

 

A aprendizagem no ritmo do negócio

Uma das principais mudanças está na forma como o aprendizado acontece. Modelos longos e generalistas perdem espaço para trilhas curtas, práticas e altamente contextualizadas. O conceito de learning in the flow of work, metodologia corporativa que integra o aprendizado diretamente nas tarefas diárias ganha força, permitindo que o colaborador desenvolva habilidades enquanto executa suas atividades, sem a necessidade de pausas extensas ou deslocamentos.

Essa transformação aumenta a aderência, acelera a aplicação do conhecimento, e gera impacto direto nos resultados.

 

Dados como base para decisões de desenvolvimento

Outro avanço significativo em 2026 é o uso estratégico de dados para orientar o desenvolvimento de pessoas. O RH passa a atuar de forma mais analítica, utilizando indicadores para identificar lacunas de competências, prever necessidades futuras e mensurar o impacto dos treinamentos.

Ferramentas de people analytics e plataformas integradas permitem acompanhar a evolução de habilidades técnicas e comportamentais e o engajamento com conteúdos de aprendizagem. Essa abordagem reduz a subjetividade e posiciona o desenvolvimento como um investimento mensurável e não mais como um custo.

 

Autonomia e protagonismo do colaborador

Se antes o desenvolvimento era conduzido majoritariamente pela empresa, em 2026 o protagonismo do colaborador se torna indispensável. As organizações oferecem estrutura e ferramentas, mas a responsabilidade pelo crescimento é cada vez mais compartilhada.

Esse movimento fortalece conceitos como autoliderança eplanos de desenvolvimento individual mais flexíveis. Na prática, isso significa que o colaborador deixa deser um receptor passivo e passa a atuar como agente ativo da própria evolução.

 

Alicia Salles, Analista de Gente e Gestão do Grupo WeDo destaca a importância desse movimento dentro das organizações.

“Vejo esse movimento como uma evolução natural do mercado de trabalho e da forma como aprendemos. Se antes o desenvolvimento era conduzido majoritariamente pelas empresas, hoje o colaborador assume, de forma cada vez mais clara, o papel de protagonista da sua própria jornada.
Isso acontece, principalmente, porque o ritmo de mudança exige um aprendizado constante e acelerado. Não é mais possível esperar por trilhas estruturadas ou direcionamentos formais para evoluir — o tempo do mercado não acompanha esse modelo. Nesse contexto, o conceito de lifelong learning ganha ainda mais força, reforçando que o aprendizado acontece o tempo todo, nas mais diversas experiências e formatos.”

 

Cultura organizacional como alicerce

Nenhuma dessas transformações se sustenta sem uma cultura organizacional que favoreça o desenvolvimento. Em 2026, empresas que se destacam são aquelas que conseguem criar ambientes psicologicamente seguros, onde o erro é visto como parte do processo de aprendizagem e o feedback é contínuo e estruturado. Além disso, há um alinhamento mais claro entre cultura e desenvolvimento: não basta capacitar tecnicamente se os valores e comportamentos não sustentam a aplicação prática desse conhecimento.

O equilíbrio entre performance e humanidade

Talvez a maior mudança esteja na forma como as organizações encaram o desenvolvimento como um equilíbrio entre resultados e bem-estar. A integração entre desenvolvimento, saúde mental e experiência do colaborador deixa de ser tendência e se consolida como prática. Equilibrar esses fatores possibilita construir times mais resilientes, produtivos e preparados para lidar com a complexidade do mercado atual.

O desenvolvimento de pessoas em 2026 é, acima de tudo,estratégico, contínuo e centrado no ser humano. A combinação entre dados,tecnologia, protagonismo individual e liderança ativa redefine a forma como asorganizações preparam seus talentos para o futuro.

Postado em
29/4/2026
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